Biomas
Biomas
Dois biomas estão presentes na Região Sul do país. A Mata Atlântica ocupa áreas nos estados do Paraná e de Santa Catarina - originalmente totalmente cobertos pelo bioma -, bem como do norte do Rio Grande do Sul. Nestas regiões, ela assume em diversas localidades características determinadas pelo clima subtropical, que diferem daquelas encontradas nas florestas das regiões Sudeste e Nordeste. Já o Pampa está presente ao sul do território gaúcho, estendendo-se ainda pelo Uruguai e pela Argentina. A Rede Sul se dedica à recuperação dos ecossistemas presentes nos três estados e nos dois biomas. Infelizmente, os que perderam o maior percentual de sua área original.
Mata Atlântica subtropical
Um dos biomas mais biodiversos do mundo, que abriga 70% da população brasileira, a Mata Atlântica é também aquele que perdeu o maior percentual de cobertura vegetal original de 111 milhões de hectares. Restam apenas cerca de 12% deles bem conservados, embora pressionados pela atividade humana.
Na Região Sul, onde está boa parte da sua maior área remanescente contínua, ela se manifesta em diferentes ecossistemas. São Florestas Ombrófilas Densas, paisagem pela qual é mais conhecida, mas também Florestas Ombrófilas Mistas, conhecidas como Mata de Araucárias, Florestas Ombrófilas Abertas, Florestas Estacionais, em que a vegetação perde parte ou toda a folhagem na época de estiagem, e campos de altitude.
Eles são responsáveis por inúmeros serviços ecossistêmicos, como produção, regulação e abastecimento de água; regulação e equilíbrio climáticos; proteção de encostas e atenuação de desastres; fertilidade e proteção do solo; produção de alimentos e insumos; além de oferecer lindas paisagens e guardar um rico patrimônio histórico e cultural, ativos fundamentais para o desenvolvimento sustentável. A recuperação ecológica busca ampliar esse potencial e a resiliência do bioma através, entre outros, da reconexão de seus fragmentos.
Pampa
Único bioma brasileiro presente em apenas um estado do país, o Rio Grande do Sul, o Pampa tem paisagens naturais variadas, com predomínio dos campos nativos com enorme diversidade de espécies forrageiras gramíneas e leguminosas, além de matas e formações arbustivas.
Os ecossistemas ali presentes, embora menos exuberantes que as florestas, prestam serviço fundamental no sequestro de carbono e regulação do clima, e no controle da erosão, além de serem fonte importante de variabilidade genética para diversas espécies da base de nossa cadeia alimentar.
Trata-se ainda de um ambiente de grande riqueza sociocultural e histórica, em que a atividade pecuária, se bem manejada, é aliada da conservação e da recuperação ecológica. A expansão de monoculturas e de pastagens com culturas exóticas, porém, vem degradando as coxilhas e comprometendo seu potencial de uso sustentável.
O Pampa conserva pouco mais de 30% de seus campos nativos originais e tem apenas 3% de sua área total protegida por unidades de conservação.
Sistema Costeiro-Marinho
O Sistema Marinho-Costeiro (IBGE, 2025) está distribuído em todos os estados costeiros do Brasil. Na região sul, sobrepõe-se aos biomas Mata Atlântica e Pampa, sendo composto essencialmente por vegetação pioneira. São típicas desse componente as formações de restinga, capões, banhados e marismas.
As marismas são ecossistemas costeiros de distribuição global, predominantes em climas temperado e subtropical, em médias e altas latitudes, associadas a estuários. Assim, destacam-se por serem os correspondentes ecológicos dos manguezais, de ocorrência única na região Sul do país.
A fitofisionomia das marismas é predominantemente composta de macegas como Spartina alterniflora, Spartina densiflora, Scirpus maritimus, Juncus effusus, Limonium brasilensi e Cyperus giganteus. As plantas são adaptadas às altas salinidades que ocorrem nos sedimentos, pois suas folhas têm glândulas que excretam os sais. As águas do estuário trazem, com as constantes inundações, sedimentos ricos em nutrientes, que são depositados e promovem a fertilização natural, com florações de microalgas, e crescimento da vegetação. A maior parte das plantas das marismas se transforma em detrito vegetal, removidas durante o alagamento, constituindo a base da cadeia alimentar para a maioria dos consumidores aquáticos que vivem enterrados, como moluscos e polquetas, ou sobre os sedimentos das enseadas, como os crustáceos que, por sua vez, são alimento para peixes e aves aquáticas.
As marismas têm ainda um papel fundamental no controle da erosão das margens dos estuários, protegendo-as contra tempestades, devido à sua vegetação, deposição e retenção de sedimentos suspensos na coluna de água. Prestam notáveis serviços ecossistêmicos, como hábitat de proteção e criação para espécies de peixes e crustáceos, e como sumidouros de gás carbônico da atmosfera.
Sendo um ambiente pouco valorizado e bastante degradado, é fundamental que seja objeto de ações e restauração, em especial como soluções baseadas na natureza nas medidas voltadas para a proteção contra enchentes.